Pra Nunca Mais Voltar – Curumin

Coragem! Só ande por andar, sonhando sem acordar.

Já se passam das 4 horas da madrugada, tentei recitar poemas antigos, escrever novos e canto sem cessar, tudo em busca da antiga alegria que as rimas me traziam. Palavras, juraram nunca me abandonar, prometemos eterna compaixão, hoje as sinto distantes, nada que me apresentem parece novo, a maldita rotina nos atacou com força, um elo desse casamento se rompeu e não suporto mais imaginar uma vida tão insignificante.

Está decidido! Eu vou, vocês ficam, livres para seduzirem outro qualquer.

Esse sofá me abraçou e não larga desde que decidi levantar. Olhos fecham e ficam por minutos eternos, desenho o trajeto em linha reta até a janela. Quinze passos serão suficientes para chegar ao parapeito e flutuar feito balão de gás, decolar qual avião. Retirei do caminho os vasos com bonsais que coleciono, resta um caminho de uma mini floresta, paredes de um branco limpo, chão com folhas soltas e o corredor preparado, não tenho mais par onde fugir. Irei, pra nunca mais voltar.

De pé, vou sentindo meu peso no chão. Percebo cada músculo do corpo se contrair para voltar ao sofá, dedos das mãos estão cerrados com força, marcam a corrente sanguínea na palma, a jugular pulsa com força, pés descalços sentem o frio do piso. E esse vento que não para de soprar pela janela, esvoaçando a cortina como um fantasma, quase me expulsando de sua direção. Mais uma vez olhos fechados, serei pássaro, avião, fumaça de vulcão, galáxia, constelação, uma pluma.

Passo a frente, folhas pisadas e uma cópia da carta pendurada em cada miniatura de arvore que mantinha no apartamento, todos teriam suas cópias sem necessidade de redigir novamente ou tirar cópias, tomei o cuidado de guarda algumas em uma gaveta, além de deixar outras dobradas nos bolsos.

Caminhado todo o percurso, sem percalços maiores que a própria consciência que já quase tomava conta da situação, fazendo voltar ao sofá. Só resta o último impulso, vou cair. Olho para trás, sinto saudade do velho sofá, parece solitário, jamais terá outro alguém tão dedicado quanto fui, com certeza logo cairá em uma depressão profunda, só dou o passo a frente por ter a certeza que em poucos dias, ele também não suportará mais, quem lerá trechos tristes de músicas alegres?

Até breve, amigo.

Vou andando só por andar.

Sonhando sem acordar.

Pra nunca mais voltar

Obrigado.

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